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IBGE aponta que pessoas com deficiência têm menor acesso a saneamento e internet
Por Luciana de Oliveira Archete
Publicado em 05/10/2026 11:00
Notícias Gerais

Pessoas com deficiência vivem em condições de moradia menos favoráveis do que aquelas sem deficiência, segundo dados do Censo 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. As diferenças aparecem principalmente no acesso ao saneamento básico, à internet e a equipamentos domésticos, além de alcançarem áreas como mobilidade e participação política.

O acesso simultâneo aos três principais serviços de saneamento básico chega a 56,6% dos domicílios onde vivem pessoas com deficiência. Entre as residências ocupadas exclusivamente por pessoas sem deficiência, o percentual sobe para 60,2%.

A desigualdade também aparece quando os serviços são analisados separadamente. O acesso ao esgotamento sanitário por fossa ou rede coletora alcança 59,8% dos domicílios com pessoas com deficiência, contra 63,1% entre os demais. No abastecimento de água por rede ou distribuição, os índices são de 82% e 83,1%. Na coleta direta ou indireta de resíduos, são 90,1% e 91,1%, respectivamente.

As condições físicas das moradias também apresentam diferenças. Em 2,4% dos lares onde vivem pessoas com deficiência não há banheiro exclusivo do domicílio. Entre as demais residências, o índice é de 2,2%. Já a presença de paredes externas construídas predominantemente com materiais não duráveis ocorre em 1,4% dos primeiros imóveis e em 1,2% dos demais.

No acesso à internet, a distância é ainda maior. O serviço está disponível em 78,9% dos domicílios com pessoas com deficiência, enquanto chega a 90,2% das residências onde vivem apenas pessoas sem deficiência. A presença de máquina de lavar também é menor, com 60,4% contra 68,9%.

As desigualdades alcançam também o deslocamento. Trabalhadores com deficiência levam, em média, 37 minutos para chegar ao trabalho, quatro minutos a mais do que trabalhadores sem deficiência. O levantamento aponta ainda uma redução na participação política. O número de pessoas com deficiência eleitas nas eleições municipais caiu de 578 em 2020 para 415 em 2024. O total de candidaturas também recuou de 6.409 para 4.813 no mesmo período.

A acessibilidade nos municípios permanece limitada. Em 2023, apenas 490 dos 5.570 municípios brasileiros tinham adaptação de espaços públicos para facilitar a circulação de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Os dados mostram que a desigualdade não se limita à renda ou ao mercado de trabalho. Ela está presente dentro das próprias residências e nas condições necessárias para exercer plenamente a cidadania. O levantamento do IBGE evidencia que garantir inclusão exige mais do que legislação e programas. Depende de infraestrutura, acessibilidade e políticas públicas capazes de transformar direitos previstos em condições concretas de vida.

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