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Senado dá guinada à direita na próxima legislatura
PL dispara para 28 cadeiras após renovação de dois terços da Casa
Por Luciana de Oliveira Archete
Publicado em 05/10/2026 07:09
Notícias Gerais

Eleição de 2026 muda radicalmente o equilíbrio de forças no Senado. Partido Liberal elege 19 novos senadores e passa a comandar a maior bancada desde a redemocratização; esquerda preserva espaços, mas perde terreno na renovação. Veja a composição e os 54 eleitos, estado por estado

A eleição de 4 de outubro de 2026 produziu uma das maiores mudanças na correlação de forças do Senado Federal desde a redemocratização. Dos 81 assentos da Casa, 54 foram submetidos às urnas — exatamente dois terços do Senado — e o resultado ampliou de maneira expressiva a presença do PL e de outras forças identificadas com a direita e a centro-direita.

O principal vencedor da renovação foi o Partido Liberal (PL). A legenda elegeu 19 senadores neste domingo e deverá iniciar a nova legislatura, em fevereiro de 2027, com 28 integrantes, tornando-se a maior bancada do Senado em um início de legislatura desde a Constituição de 1988.

O tamanho da mudança é particularmente significativo porque o Senado é uma Casa estratégica: cabe aos senadores, entre outras atribuições, analisar projetos nacionais, fiscalizar o Executivo, aprovar autoridades indicadas para tribunais superiores e outras instituições e exercer funções constitucionais específicas, inclusive em processos de impeachment.

19 novos senadores colocam o PL no centro do poder

O PL não apenas manteve sua força: avançou sobre uma parcela importante das 54 cadeiras em disputa.

A legenda conquistou vagas em estados como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Tocantins, Acre e outros.

O resultado inclui vitórias de nomes de forte identificação com o campo conservador, como Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, no Distrito Federal; Carlos Bolsonaro e Carol de Toni, em Santa Catarina; Carlos Portinho e Carlos Jordy, no Rio de Janeiro; Filipe Barros, no Paraná; Gustavo Gayer, em Goiás; e Domingos Sávio, em Minas Gerais.

A nova bancada do PL deverá chegar a 28 senadores, contra nove representantes antes da renovação, segundo levantamento divulgado pelo Senado. Nenhum outro partido se aproxima desse tamanho: o PT terá nove senadores e o MDB, oito. PP e União Brasil terão seis cada, enquanto PSD e Republicanos terão cinco cada.

É uma mudança que vai muito além de simplesmente aumentar o número de parlamentares de uma legenda. O PL passa a ter capacidade muito maior de pautar negociações, ocupar postos estratégicos e influenciar a formação das maiorias dentro da Casa.

A direita ganha força, mas não terá maioria automática

O resultado permite falar em fortalecimento do campo da direita no Senado, mas é importante fazer uma distinção: partido, posição ideológica e comportamento parlamentar não são necessariamente a mesma coisa.

Além dos 28 senadores do PL, a nova composição reúne nomes de partidos como Novo, Republicanos, PP e União Brasil, entre outras legendas que frequentemente compõem maiorias com o campo conservador ou de centro-direita em determinadas votações.

Um levantamento publicado pela Folha de S.Paulo aponta que, além dos 28 integrantes do PL, 11 senadores eleitos por outras siglas são considerados aliados políticos da legenda, o que poderia elevar a uma faixa de 39 votos o potencial de apoio ao grupo, embora isso não constitua um bloco formal e nem signifique que esses parlamentares votarão sempre juntos.

Essa diferença é fundamental.

Ter 28 senadores não significa controlar sozinho o Senado. Para aprovar determinadas matérias ou eleger o presidente da Casa, será necessário construir alianças.

Para a eleição da Presidência do Senado, por exemplo, são necessários 41 dos 81 votos.

É justamente aí que começa a disputa política de 2027.

A batalha pelo comando do Senado

O crescimento do PL coloca a eleição para a Presidência do Senado no centro das articulações políticas dos próximos meses.

O partido terá a maior bancada e, portanto, partirá de uma posição de grande relevância nas negociações internas.

Entre os nomes citados no debate político para comandar a Casa estão parlamentares ligados ao campo conservador, mas a definição dependerá de alianças que ultrapassam os limites partidários.

O cenário também recoloca na mesa temas caros à direita, incluindo segurança pública, revisão de decisões judiciais, relação entre Congresso e Supremo Tribunal Federal, liberdade de expressão, armas, política econômica e tamanho do Estado.

Isso não significa que todas essas pautas serão necessariamente aprovadas. Significa que o peso eleitoral de partidos e parlamentares que defendem essas posições será maior na próxima legislatura.

O PT mantém nove senadores

Apesar da expansão do PL, o campo governista não desaparece do Senado.

O PT deverá contar com nove senadores, enquanto nomes históricos do partido foram preservados em algumas disputas.

Na Bahia, por exemplo, Rui Costa e Jaques Wagner conquistaram as duas vagas. Em Minas Gerais, Marília Campos venceu uma das cadeiras. Em Pernambuco, Humberto Costa foi reeleito. No Rio Grande do Norte, Samanda de Lula conquistou uma vaga, e em Sergipe Rogério Carvalho foi reeleito.

O resultado, portanto, não representa uma transformação completa do Senado em uma Casa de um único espectro político.

O que mudou foi o centro de gravidade da Casa.

A força das votações milionárias

Outro aspecto marcante da eleição foi o tamanho das votações.

Em estados populosos, vários dos novos senadores ultrapassaram facilmente a marca de 2 milhões de votos.

No Rio de Janeiro, por exemplo, Carlos Portinho recebeu 4.264.932 votos e Carlos Jordy, 3.912.405. Na Bahia, Rui Costa chegou a 4.335.006 votos na base de apuração consultada. No Paraná, Filipe Barros passou de 3,1 milhões, enquanto Deltan Dallagnol superou 2,9 milhões.

Em São Paulo, a escala foi ainda maior: Guilherme Derrite recebeu 13.273.880 votos e André do Prado, 12.703.089.

Minas Gerais também produziu uma votação de grande dimensão: Domingos Sávio alcançou 4.968.794 votos e Marília Campos, 3.990.520 na totalização consultada.

A nova fotografia do Senado

A partir de 1º de fevereiro de 2027, os 54 eleitos se juntarão aos 27 senadores que já tinham mandato até 2031. O mandato dos novos parlamentares vai até 31 de janeiro de 2035.

O Senado, portanto, começa 2027 com uma configuração bastante diferente daquela que encerra 2026.

O PL será a maior bancada.

O PT continuará sendo a principal força de esquerda organizada na Casa.

MDB, PP, União, PSD, Republicanos, PSB, Novo e outras siglas terão papel decisivo nas negociações.

Mas uma coisa é evidente no mapa produzido pelas urnas: a renovação de dois terços deslocou o Senado para uma composição mais favorável à direita, especialmente pelo salto do PL.

A partir de 2027, a oposição terá mais musculatura para enfrentar o governo, enquanto o Executivo precisará construir maiorias ainda mais amplas para aprovar sua agenda.

E a disputa pelo comando da Casa promete ser apenas o primeiro teste dessa nova correlação de forças.

OS 54 SENADORES ELEITOS EM 2026

Dados de votação: totalização disponibilizada na base de apuração consultada, identificada como baseada nos dados do TSE. O próprio TSE informa que o Senado teve 54 cadeiras em disputa, duas por unidade da Federação, em eleição majoritária.

Estado Senador eleito Partido Votos
AC Marcio Bittar PL 223.972
  Mara Rocha Republicanos 157.104
AL Arthur Lira PP 948.703
  Marina JHC PSDB 926.860
AP Rayssa Furlan Podemos 264.799
  Lucas Barreto PSD 213.948
AM Eduardo Braga MDB 1.238.916
  Plínio Valério PSDB 948.108
BA Rui Costa PT 4.335.006
  Jaques Wagner PT 3.986.495
CE Cid Gomes PSB 3.033.562
  Luizianne Lins Rede 2.822.806
DF Michelle Bolsonaro PL 938.496
  Bia Kicis PL 886.616
ES Renato Casagrande PSB 995.361
  Evair de Melo Republicanos 982.978
GO Gustavo Gayer PL 1.639.247
  Gracinha Caiado União 1.458.522
MA Fufuca PP 1.529.812
  Lahesio Bonfim Novo 1.471.761
MT Mauro Mendes União 1.187.352
  Zé Medeiros PL 977.777
MS Reinaldo Azambuja PL 903.554
  Capitão Contar PL 856.045
MG Domingos Sávio PL 4.968.794
  Marília Campos PT 3.990.520
PA Helder Barbalho MDB 2.342.070
  Chicão União 2.014.409
PB João Azevêdo PSB 1.391.994
  Veneziano MDB 974.550
PR Filipe Barros PL 3.148.583
  Deltan Dallagnol Novo 2.904.594
PE Humberto Costa PT 2.531.389
  Marília Arraes PDT 2.325.127
PI Marcelo Castro MDB 1.307.833
  Júlio César PSD 989.146
RJ Carlos Portinho PL 4.264.932
  Carlos Jordy PL 3.912.405
RN Styvenson Valentim Podemos 1.055.000
  Samanda de Lula PT 635.924
RS Sanderson PL 3.453.316
  Marcel Van Hattem Novo 3.449.053
RO Fernando Máximo PL 570.799
  Bruno Scheid PL 474.226
RR Nicoletti PL 138.269
  Teresa Surita MDB 117.270
SC Carol de Toni PL 2.694.918
  Carlos Bolsonaro PL 2.041.840
SP Guilherme Derrite PP 13.273.880
  André do Prado PL 12.703.089
SE Rogério Carvalho PT 511.142
  Delegado Alessandro MDB 399.775
TO Eduardo Gomes PL 450.191
  Alexandre Guimarães MDB 316.786

A relação nominal dos 54 eleitos é confirmada pela Agência Senado, enquanto os números de votação acima constam da base de apuração consultada; o TSE explica que os resultados oficiais são divulgados por estado e cargo em seu sistema de resultados.

O mapa partidário das 54 cadeiras renovadas

  • PL: 19 eleitos
  • MDB: 7
  • PT: 6
  • PP: 3
  • PSB: 3
  • União: 3
  • Novo: 3
  • Republicanos: 2
  • PSDB: 2
  • Podemos: 2
  • PSD: 2
  • Rede: 1
  • PDT: 1

Esses números dizem respeito somente às 54 cadeiras renovadas em 2026. A composição final de 81 senadores precisa incluir os 27 parlamentares eleitos em 2022 que permanecerão no cargo até 2031. É nessa soma que o PL chega a 28 integrantes na nova legislatura.

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