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A câmera corporal do parceiro da soldado Yasmin Cursino Ferreira, da Polícia Militar de São Paulo, confirma que a ajudante-geral Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, não agrediu a policial antes de ser baleada e morta na madrugada de 3 de abril, em Cidade Tiradentes, zona leste da capital. Para a advogada criminalista e mestre em Direito Penal Jacqueline Valles, as imagens eliminam qualquer alegação de legítima defesa e, portanto, a soldado deve responder perante o Tribunal do Júri.
As gravações mostram que Thawanna caminhava com o marido, Luciano Gonçalves dos Santos, quando o braço dele tocou o retrovisor da viatura. Houve bate-boca entre os policiais e o casal. A soldado Yasmin, de 21 anos e com cerca de três meses de patrulhamento, desceu do veículo, discutiu com a moradora e efetuou o disparo — tudo em aproximadamente 36 segundos. A própria câmera corporal registra o colega de farda questionando a atiradora logo após o tiro. Thawanna foi socorrida, mas não resistiu. Ela completaria 32 anos no dia 8 de abril e deixou cinco filhos.
Jacqueline Valles avalia que o conjunto de provas já é suficiente para enquadrar a conduta da policial. "As provas, desde que lícitas, servem bem quando elucidam os fatos. O diálogo captado é uma prova muito contundente. Está claro que ela não agiu em legítima defesa, porque a legítima defesa requer uma reação moderada. A policial tinha outras formas de conter a situação sem atirar no peito da vítima. Isso demonstra uma total falta de treinamento e de disciplina", afirma.
A advogada destaca que a soldado deve ser afastada das ruas durante a investigação, com arma recolhida, e julgada pelo Tribunal do Júri. "Ela não agiu em exercício regular de direito, não agiu em estrito cumprimento do dever legal e não agiu em legítima defesa. Então deve, sim, ser julgada pelo Tribunal do Júri", diz Valles.
Jacqueline Valles também critica o uso irregular das câmeras corporais e encerra com um alerta: "Policiais militares andam com armas letais. Precisamos ter vigilância sobre suas atitudes. Esse relaxamento do uso da câmera corporal é extremamente prejudicial para a sociedade e para o policial. Desgraças como essa vão continuar ocorrendo enquanto não houver controle real sobre quem tem o poder de tirar uma vida."
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